Forbrydelsen

Bom, em plena loucura pelo retorno de Game of Thrones vou falar sobre a sensacional série de suspense dinamarquesa Forbrydelsen. A série trata do assassinato de uma jovem de 19 anos, sua investigação e seus desdobramentos políticos, afetivos e sociais. A personagem principal é Sarah Lund, a obsessiva investigadora que bebe cerveja na garrafa no fim do dia e tem o armário limitado a poucas e parecidas roupas. Sarah Lund é dessas personagens que me causam admiração e espanto – e alegria por não conhecer ninguém como ela. Lund abre mão de absolutamente tudo para resolver o caso, e faz isso com chocante obstinação.

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Ao redor da investigação do caso se desdobra um cenário político delicado, pois a história acontece durante as pré-eleições de Copenhagen, e eis que um dos candidatos se vê potencialmente envolvido na história. Além disso existe o complicador de Lund estar a momentos de se desligar da polícia dinamarquesa, se mudar para a Suécia, e começar uma suposta vida pacata ao lado de seu namorado… O resultado disso é uma sensação de urgência pela resolução do caso que se complica a cada dia, representados nos 20 episódios.

Acredito que se fosse ver um episódio por semana me irritaria com a série pois as reviravoltas são reiteradas, nos deixando (assim como a Lund e sua equipe) com a constante sensação de termos respostas escapando por entre os dedos. Todos os personagens guardam segredos, e na sua necessidade por privacidade a trama se complica a cada nova informação. Afinal o que é legítimo? Que outros dados são necessários para interpretar corretamente as novas informações? De uma maneira muito interessante Forbrydelsen nos mostra o quanto somos parciais em nossas compreensões, delineando a gravidade das consequências de se omitir ou manipular informações. E ainda, o quão manipuláveis as informações podem ser.

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A série foi produzida pela DR, canal público da televisão dinamarquesa, foi veiculado originalmente em 2007 e representou uma grande novidade no quesito exportação – por ser um conteúdo em língua escandinava, poucos países se interessavam pelas produções da DR. No entanto, ao aliar narrativa dupla (investigação entremeada por questões sociais e éticas) com linguagem cinematográfica, Forbrydelsen produziu um impacto muito representativo no mercado de “legendados”, abrindo portas para outras séries produzidas posteriormente.

Em 2011 a AMC fez a versão americana da história sob o título The Killing, sobre a qual ouvi falar muito bem, mas confesso que entre ver conteúdo em dinamarquês ou inglês prefiro a primeira opção mil vezes. Além da língua, acho sensacional a seleção de elenco com cara de gente normal, com rugas, verrugas e sobrancelhas memoráveis. Para minha eterna surpresa, a série original foi veiculada na +Globosat em 2012, e agora está integralmente disponível no Netflix.

Existem outras duas temporadas que ainda não assisti, mas confesso que os 20 episódios inicias me causaram um impacto tão bem resolvido que não sei se (ou quando) verei o resto. Sarah Lund é uma personagem que merece ser conhecida, bem como o triste caso de Nana Birk Larsen.

 

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